Especialista afirma que acordo com os EUA em Alcântara é prejudicial ao Brasil

Instalações do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.
Instalações do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Foto de Valter Campanato/Agência Brasil

O engenheiro e especialista em assuntos espaciais João Ribeiro Junior afirma em extenso e detalhado Relatório que o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) Brasil-EUA, assinado com o governo dos Estados Unidos é inviável economicamente e lesivo aos interesses nacionais do Brasil.

João Ribeiro Junior é engenheiro com vasto currículo ligado aos temas espaciais na atividade pública e privada. Ele é vice-presidente da Academia Brasileira de Engenharia Militar, foi vice-diretor Técnico da Alcantara Cyclone Space (ACS), chefe da Divisão de Mecânica do Instituto de Aeronáutica e Espaço – DCTA, chefe do Departamento de Desenvolvimento Aeroespacial da Infraero e coordenador da fase 3 do Programa de Especialização de Engenheiros da Embraer, entre outras missões na longa trajetória.

Ribeiro aponta os obstáculos ao sucesso comercial do Acordo a partir das próprias dificuldades operacionais do empreendimento, cuja base física, o sítio de Alcântara, permanece com a titularidade em disputa com áreas quilombolas.

Ele detalha as informações sobre a natureza deficitária dos lançamentos espaciais, altamente subsidiadas por governos e estados com interesses e objetivos estratégicos de cunho científico, tecnológico e militar, e no domínio de todo o ciclo de projeto e construção de veículos lançadores e de satélites.

Para a atual fase de tecnologia de lançamentos, já não é decisiva a proximidade dos sítios com o Equador. Além disso, os Estados Unidos têm priorizado o uso de bases de seu próprio território, e as principais empresas envolvidas em atividades de transporte espacial (Boeing, Lockheed e Space X) manifestaram desinteresse no uso do Centro de Lançamento de Alcântara.

Ao examinar as cláusulas do Acordo, Ribeiro destaca a restrição imposta ao Brasil (Artigo III – Disposições Gerais – item 1B) para importar equipamentos, tecnologias, mão de obra e recursos financeiros de países que não sejam membros do Missile Technology Control Regime (MCTR). Vale ressaltar – observa o especialista – que o Brasil tem desenvolvido parcerias importantes com países que não são membros do MCTR, entre eles China e Israel.

O relatório aponta ainda (Artigo II – Definições, itens 14 e 15) “a criação de um enclave monolítico e perenal”, dentro do território nacional, pelas limitações impostas aos brasileiros no acesso à área exclusiva do pessoal norte-americano.

O Brasil, diz o dossiê, já está submetido a embargos dos EUA “para a compra de um simples conector elétrico quando este se destina à aplicação em veículos espaciais”. O problema é que, caso o Acordo seja aprovado, além desse embargo seria ampliada a proibição de cooperação do Brasil com outros parceiros para fins espaciais.

O Portal Bonifácio põe à disposição dos interessados uma versão resumida do Relatório produzido por João Ribeiro Junior e uma outra completa e detalhada, com 73 páginas.

3 COMENTÁRIOS

  1. Fico espantado com a inocência de brasileiros que veem nos EUA um parceiro (mais que isso, um parça) indispensável ao nosso desenvolvimento. Crença tão pueril quanto perigosa.
    Tanto EUA como Europa sempre trabalharam na América Latina, África e Ásia com um único propósito: barrar nosso desenvolvimento, manter nossa dependência por quinquilharias e manter nossas reservas de recursos naturais sob controle. NADA ALÉM DISSO.
    Por isso, nossa parceria com a China é estratégica. Assim como com a Rússia, a África, a Ásia e o Médio-Oriente, pois compartilhamos dos mesmos problemas criados com a globalização e a financeirização do mundo.
    Nenhum acordo com os EUA nos será vantajoso. A intenção aqui é clara de sabotagem e de controle do nosso programa espacial, nuclear, etc.
    Bolsonaro é um vassalo ridículo e as FFAA se ridicularizam apoiando essa aventura que já nos custou muito caro.

  2. Para tecermos um comentário com elogios ou criticas, faz-se necessário a leitura na integra do relatório…
    Porem, foto é, não o pais não poderia ficar bancando ou fazendo de conta que Alcântara é uma base viável …
    Acho positivo a discussão!!!

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