Gênio. Mestre. Garrincha do Turfe: A trajetória do Jóquei alagoano Juvenal Machado da Silva no turfe nacional.

O público celebra mais uma vitória do jóquei alagoano.

O alagoano Juvenal Machado da Silva, nascido no sítio Fontinha, povoado Burnil, município de Água Branca, é o sétimo filho, dos onze, de Erundina Maria da Conceição da Silva e Gabriel Machado da Silva, agricultores e criadores de animais no sertão alagoano.

Aos doze anos de idade, Juvenal Machado já trabalhava na roça, ajudando nas atividades de agricultura – plantio de feijão e milho – e pastoreio – criação de animais -, atividades que garantiam o sustento da numerosa família. Quando seus pais adquiriram uma nova propriedade no povoado Alto dos Coelhos, também no município de Água Branca, ficou sob sua responsabilidade administrá-la.

A venda de lenhas para as padarias do município de Delmiro Gouveia garantiam uma renda extra à família, sendo de Juvenal a tarefa de realizar, semanalmente, no carro de boi, a entrega da matéria prima no município vizinho, sempre acompanhado por outros fornecedores. Juvenal Machado não estudou até os 15 anos de idade, haja vista, no lugar que residia não tinha escola, dedicando-se totalmente às atividades da roça. Sua maior diversão era montar jumentos, burros e apostar corridas.

Juvenal Machado com Chico Anysio e Alcione Mazzeo.

Mas, o desejo de ter um futuro melhor o fez correr, literalmente, atrás de seus objetivos: melhorar de vida e ajudar a família.

Seu primo, Audálio Machado, que tinha migrado para o Rio de Janeiro e se constituído destacado jóquei no turfe carioca, sempre voltava ao sertão para visitar a família. Numa dessas viagens, assistiu a Juvenal montar em um jumento. De volta ao Rio, conversou com outro primo comum, J. Machado, que era treinador na Escola do Jóquei. Decidiram enviar uma carta ao parente, convidando-o para morar no Rio de Janeiro. Foram duas tentativas de levar o jovem sertanejo para a cidade maravilhosa: uma em 1969 e outra em julho de 1970. O medo da cidade grande levou Juvenal a recusar os convites. No entanto, uma surra da mãe, obrigou-o a, ainda em 1970, viajar para o Rio.

Era uma quarta-feira, ano de 1970, no domingo anterior o Brasil tinha conquistado o título de tricampeão mundial de futebol. O Rio de Janeiro vivia a euforia da conquista brasileira. Juvenal, com 16 anos de idade, desembarca na cidade e inicia uma trajetória que marcaria a história do turfe brasileiro.

Como era menor de idade, teve que providenciar a emissão de seus documentos para ingressar na Escola do Jóquei, além de autorização judicial. Em fevereiro de 1971, ingressou na Escola de Aprendizes do Jóquei Clube Brasileiro incentivado pelo primo e treinador, J. Machado.

Juvenal Machado foi o maior ganhador da história do GP Brasil, com cinco vitórias alcançadas.

Durante alguns meses, residiu na cocheira de Ernani de Freitas e, posteriormente, convidado pelo treinador de cavalos, Felipe Lavor, Juvenal foi abrigado por este, que veio a ser seu sogro.

Matriculado na Escola do Jóquei, Juvenal Machado recebia, semanalmente, ensinamentos do seu primo, J. Machado. As orientações iniciais eram de como montar, pegar na rédea e manter o equilíbrio sobre o cavalo, que foram rapidamente aprendidas. Com apenas seis meses na escola, ele iniciou sua trajetória de jóquei profissional, correndo no hipódromo da Gávea. Nas primeiras corridas, já demonstrou enorme habilidade e logo veio a primeira vitória, com Eringa. Nos programas oficiais dos hipódromos, este fenômeno do turfe passou a ser J.M. Silva.

Juvenal Machado participou de corridas nos principais hipódromos brasileiros: Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco, Goiás, Minas Gerais, sendo nos hipódromos de Campos de Goitacazes e da Gávea (Rio de Janeiro), e São Vicente e Cidade Jardim (São Paulo), onde conquistou a maior parte das suas mais de 4 mil vitórias. No exterior, Juvenal participou de corridas na Argentina, Chile, Peru e Venezuela.

Percorrendo esses hipódromos, conquistou os principais Grandes Prêmios ao longo da carreira. Na lista das conquistas estão: GP Paraná-Haco Etiquetas, GP Derby Paulista, GP Presidente da República, GP Centenário de Belo Horizonte, o GP Bento Gonçalves (maior prova do turfe gaúcho), GP Frederico Ludgren e GP Estado do Rio de Janeiro. No ano de 2000, ganhou a tríplice coroa com Super Power, (Milha Estado do Rio de Janeiro 1.600 metros, Jóquei Club 2.000 metros, e Cruzeiro do Sul 2.400 metros). Sem dúvida, entre as mais de quatro mil vitórias, os mais importantes são os cinco GP Brasil, principal prova do turfe brasileiro, conquistados em 1979 (Aporé); 1982 (Gourmet); 1986 (Grimaldi); 1987 (Bowling); 1990 (Flying Finn). Liderou seis estatísticas.

Nos anos de 1980, J. M. Silva já estava consagrado no hipódromo da Gávea. Foi contratado pelo Haras Fachina, de São Paulo, onde participou de duas temporadas de sucesso em Cidade Jardim, em1985 e 1986.

Para alguns especialistas do turfe nacional, Juvenal foi um gênio deste esporte. Considerado o Garrinha do turfe. O Mestre. Para os íntimos, era o Nanau. O que mais chamava atenção era a simplicidade dele em fazer as coisas tão difíceis para outros jóqueis. Juvenal era a montaria perfeita: uma simbiose entre o homem e o animal. Ora correndo na frente, ora correndo no meio, ora correndo no fundo do lote, era um espetáculo as performances do jóquei alagoano, considerado um dos jóqueis mais importantes da história do turfe nacional.

O sertanejo Juvenal Machado mantinha uma sintonia perfeita com os animais que montava.

Em 2002, com 32 anos de atividade, Juvenal Machado encerrou a carreira e retornou para o sertão de Alagoas. Escolheu a cidade de Delmiro Gouveia para viver com a família. Divide seu tempo entre as duas paixões – a roça – criando algumas cabeças de gado e assistir aos jogos do Flamengo. A paixão pelo futebol leva o ex-jóquei a cancelar qualquer compromisso nos dias de jogos.

Ao longo de sua carreira, conquistou muitos amigos. Seu carisma e simplicidade são reconhecidos pelos seus companheiros de turfe, como J. Ricardo, maior ganhador mundial de turfe, e com quem Juvenal protagonizou memoráveis disputas, ainda hoje lembradas pelos amantes do turfe.

Uma grande amizade conquistada por Juvenal Machado foi com Chico Anysio, que amava o turfe e foi criador de cavalos de corrida, para quem Juvenal Machado montou importantes cavalos, como, Velho Zuza e Pandolé. Em depoimento para o documentário LÁ VEM O JUVENAL!, Chico Anysio disse que “Juvenal era a combinação perfeita da técnica com o talento.”

No dia 15 de novembro, data de seu aniversário e também da Proclamação da República, reúne familiares e amigos para festejar a vida e, claro, uma trajetória que o consagrou como o alagoano que marcou a história do turfe brasileiro. 

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