Estamos em uma depressão? Ou estagnação prolongada?

O dado já divulgado do PIB do primeiro trimestre de 2019 mostrou uma queda de 0,2% na margem. Os indicadores antecedentes do segundo trimestre seguem ruins também. Apesar de algum avanço do governo para negociar reformas com o Congresso.

Os dados de produção industrial e varejo no Brasil continuam mostrando fraqueza de recuperação da economia brasileira, se e’ que há recuperação. Aumenta a chance de corte de taxa de juros SELIC no segundo semestre, apesar do discurso ainda “hawk” do novo presidente Banco Central. A grande questão no momento para o Brasil continua sendo a velocidade da retomada econômica.

Estamos em uma depressão? Ou estagnação prolongada? Não há demanda pela via dos investimentos como no passado, o cambio mais desvalorizado também não funciona mais num mundo relativamente parado. A forte alavancagem das empresas e famílias brasileiras decorrente do ciclo de credito de 2008 a 2014 criou novos patamares de divida, com juros muito mais elevados do que a media mundial.

A alavancagem de crédito (imobiliário e não imobiliário) provocou um boom de consumo e um boom de construções imobiliárias, resultando em grande aumento de endividamento e oferta de imóveis. Os investimentos foram todos direcionados para o setor de non-tradables (prédios comerciais, residenciais e shopping centers). As desonerações agravaram o problema injetando demanda agregada e complicando a situação de contas públicas.

Desde 2016 o Brasil na consegue se recuperar de fato dessa ressaca. No mundo, a guerra comercial entre EUA e China se transformou numa guerra tecnológica. EUA, Japão e Alemanha finalmente perceberam o ataque chinês e começaram a tentar proteger suas empresas agora com tarifas, fundos estatais de proteção e proibição de controle estrangeiro em setores chave. Isso esta provocando importante desaceleração do comerico e do PIB mundial.

Nesse contexto aumentou muito a probabilidade de corte dos juros inclusive nos EUA. O crescimento mundial de 2019 será menor do que de 2018. As taxas de 10 anos nos EUA seguem caindo, quase abaixo de 2%, na Alemanha voltaram abaixo de 0%. Algum risco permanece no horizonte por conta de alta de inflação nos EUA, mas o subemprego do mercado de trabalho por hora parece ser capaz de manter a alta de salários sob controle. Na Zona do Euro novas medidas de estimulo devem também ser adotadas.

O mundo segue patinando.

Paulo Gaia

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