Câmara Municipal pode mudar o nome do Palácio Anchieta

    A Câmara Municipal de São Paulo pode mudar o nome do próprio Palácio onde funciona por força do projeto de lei 47/2021, já aprovado em primeira votação pelo Poder Legislativo da cidade de São Paulo. Segundo o portal Terra, a proposta foi votada depois do entendimento dos autores com a Secretaria Municipal de Cultura, que assim tornou-se cúmplice da iniciativa. O projeto prevê a mudança dos nomes que batizam ruas, praças e avenidas na cidade com denominações ligadas ao período da escravidão, à eugenia e ao nazismo. Pela lei, portanto, o próprio Palácio Anchieta, sede do Legislativo Municipal, poderá ter seu nome alterado já que organizações não governamentais e movimentos racialistas acusam o Padre José de Anchieta, hoje santo canonizado pela igreja católica, de protetor e defensor da escravidão. Outro alvo desse movimento é mudar o nome do Palácio dos Bandeirantes e de todos os espaços públicos batizados com nome dos bandeirantes paulistas, também acusados de praticarem a escravidão. O próprio escritor Euclides da Cunha, autor do clássico Os Sertões, também é alvo dos racialistas já que em uma fase de sua vida simpatizou com as teses da eugenia em voga no final do século XIX e começo do século XX.

    Um dos absurdos do projeto reside em associar ao nazismo, o regime criminoso de Hitler, o escravismo, o retrógrado modo de produção predominante em larga escala e por longo período em todo o mundo, e a eugenia, corrente pseudocientífica influente na ciência internacional. A associação integra o esforço diversionista dos autores do projeto, como se Anchieta e Euclides da Cunha, entre outros, pudessem ser equiparados aos nazistas promotores do Holocausto.

    O problema é que o sistema escravista prevaleceu não apenas nas sociedades de matriz ocidental, mas existia nas sociedades africanas e sobreviveu nos quilombos dos Palmares entre líderes negros, como atestam renomados historiadores brasileiros. Também havia escravidão praticada por tribos indígenas em todo o País, costume que alimentou rivalidades tribais ao longo dos séculos no Brasil.

    Não se sabe como a Câmara Municipal de São Paulo pretende julgar o passado a partir dos critérios e dos valores do presente, quais nomes, monumentos e homenagens deverão ser removidos e quais permanecerão e a quem pertencem a memória e a história da Nação brasileira, se a toda a Nação ou aos grupos que desejam reconstruir a história do Brasil a partir dos conceitos importados e financiados por movimentos raciais dos Estados Unidos.

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