Aldo Rebelo defende retomada da “construção inacabada do País”

    Matéria publicada no Jornal do Comércio de Porto Alegre em 27/10/2021 – Editoria de Política.

    Ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (sem partido) veio, nesta terça-feira (26), a Porto Alegre lançar seu mais novo livro, O Quinto Movimento (editora JÁ). Rebelo acredita que o Brasil precisa de um quinto movimento, uma “retomada da construção inacabada do País”, como descreve. Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, o ex-ministro conta um pouco sobre sua obra e comenta sobre o atual governo federal.

    Jornal do Comércio – O que é esse “quinto movimento” de reconstrução do País?

    Aldo Rebelo – O quinto movimento é a retomada do que eu chamo de construção inacabada do país. A construção foi o que fizemos nos quatro movimentos anteriores, formação do território, independência, a consolidação da independência e da unidade do território, a República e o processo do quarto movimento da República, que vem até os governos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT). Esse movimento termina quando o País mergulha nessa desorientação. Eu proponho que o País interrompa esse processo, essa desorientação, e retome a construção do País no quinto movimento. Nós temos no quinto movimento a valorização da democracia, que vem sendo questionada e ameaçada, temos também a luta contra as desigualdades econômicas, sociais e culturais, a retomada do crescimento econômico no país, a valorização da educação, a questão da Amazônia, como aproveitar as riquezas da Amazônia para desenvolver o Brasil, a questão das forças armadas, o que elas representam e o que significam para o país.

    JC – O senhor citou o governo Dilma, acredita que essa desconstrução começou a partir do impeachment?

    Rebelo – Não, essa desconstrução começou com aquela sabotagem a Copa do Mundo, aquele movimento não vai ter copa, em 2013. Aquilo ali foi o marco, o momento em que o Brasil mergulhou nesse processo, quando grupos de esquerda e de direita se juntaram nas ruas para destruir monumentos, espaços públicos, patrimônio privado, e sabotar a Copa do Mundo, um evento que interessava o País como um todo. Esses grupos que começaram esse movimento, começaram a desorientação do País que culmina nesse processo que nós estamos vivendo até hoje

    JC – E o governo atual, como avalia dentro desse contexto?

    Rebelo – Nós vivemos hoje um momento de aumento das desigualdades do País, de forma acelerada, a população mais pobre e a classe média perdendo renda, empregos, a pobreza aumentando muito, gente disputando lixo para poder se alimentar, isso é uma imagem da nossa tragédia. Uma situação muito difícil no País, e a situação econômica, perdendo capacidade industrial, perdendo competitividade na economia, os erros cometidos no combate a pandemia agravaram aquilo que já era muito difícil. Agora o governo diante da crise energética ameaça privatizar a Petrobras, o preço da gasolina já é fruto da interferência privada na Petrobras, e o governo quer piorar essa situação privatizando a empresa.

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