100 anos do PCB-PCdoB

    Fundado em 25 de março de 1922, o Partido Comunista do Brasil, cuja herança é hoje disputada por duas siglas (PCB e PCdoB), tem sua origem na influência da Revolução Russa de 1917 e na ascensão do movimento operário europeu após o fim da Primeira Guerra Mundial. O PCB-PCdoB é a manifestação política de movimentos de renovação da sociedade que teve nas artes sua expressão na Semana de Arte Moderna de São Paulo, ocorrida no mesmo ano do surgimento do Partido.

    Na sua trajetória, o PCB-PCdoB oscilou entre o internacionalismo-cosmopolitismo e o nacionalismo-desenvolvimentismo. Passou da tentativa de derrubada do Governo Vargas, com a insurreição de 1935, ao Queremismo (Constituinte com Getúlio), em 1945. A aproximação com Vargas deu-se por conta da Guerra contra o Eixo (Alemanha, Itália, Japão), quando oficiais comunistas do Exército integraram a Força Expedicionária Brasileira (FEB), em acordo celebrado entre Vargas e o Partido. Um desses oficiais foi o major Henrique Cordeiro Oest, militante comunista que chegou ao posto de general.

    O prestígio adquirido pela União Soviética na Guerra contra o Nazismo projetou uma grande presença do PCB-PCdoB nos meios intelectuais, atraindo para suas fileiras e área de influência escritores como Graciliano Ramos, Jorge Amado, Nelson Werneck Sodré, Monteiro Lobato, Raquel de Queiroz, Caio Prado Júnior, Carlos Drumond de Andrade, pintores da estatura de Portinari e Di Cavalcanti, entre outros.

    Temendo a ampliação dos espaços políticos do PCB-PCdoB e já com o mundo e o Brasil mergulhados no ambiente da Guerra Fria, as forças conservadoras colocaram o Partido na ilegalidade em 1947. O PCB-PCdoB reagiu, adotando uma orientação tática esquerdista, que aprofundou seu isolamento político e social. Quando Getúlio Vargas foi deposto pelo golpe entreguista de 1954, o PCB-PCdoB estava na oposição ao grande estadista brasileiro, ombro a ombro com os golpistas. A oposição do PCB-PCdoB a Vargas levou intelectuais como Darcy Ribeiro e parcela importante do movimento sindical ao afastamento do Partido.

    Com o golpe civil-militar de 1964, o Partido foi profundamente atingido pela repressão que se abateu sobre as organizações de esquerda.

    Terminada a Guerra Fria, PCB e PCdoB mergulharam em um processo de desorientação, afastaram-se da centralidade da questão nacional e adotaram a agenda democrático-identitária, perdendo relevância no cenário político e social do País.

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