Reencontrar a esperança, reconstruir o Brasil – Revisitando o livro de Stefan Zweig – Brasil: País do Futuro

    Stefan Sweig celebrou o povo brasileiro, aqui representado na gravura Festa de São João, de Fúlvio Pennacchi.

    Cada vez menos, nas últimas décadas, refere-se ao Brasil como “país do futuro”.  A indiferença, senão hostilidade, à questão nacional, com a renúncia aos projetos de Nação subjacentes, privou nosso País do horizonte histórico no qual é possível encaminhar a ação coletiva rumo ao futuro.

    O livro de Stefan Sweig é uma declaração de amor e confiança no Brasil e na civilização mestiça construída em nosso País, apoiada nas virtudes da tolerância, do otimismo e da criatividade.

    A dilapidação das bases materiais e culturais do Brasil e o apagamento da memória coletiva, em nome do livre-mercado e da globalização cosmopolita, privam os brasileiros das condições básicas para a sua atuação soberana na História, condenando-os à falta de esperança e, portanto, à supressão do futuro.

    Urge, assim, retomar a leitura de Brasil: País do Futuro (1941)[1], do escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942). Um escritores mais celebrados do mundo ainda em vida, desde a década de 1920, Zweig fugiu do nazismo em 1934. Trasladou-se primeiro para a Inglaterra, depois para os EUA e, finalmente, para o Brasil, após três viagens para cá entre 1940 e 1941. Suicidou-se em Petrópolis, desesperado ao tomar conhecimento de uma então recente vitória do III Reich que, em sua mente, selava a vitória do nazismo. Como seria bom ele ter esperado mais um ano!

    O autor, de profunda formação humanista, não buscou conhecer o Brasil apenas superficialmente, como seria de esperar de um turista. Sem dúvida, abundam observações episódicas e de minudências várias, principalmente nos capítulos destinados ao Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Recife. A riqueza descritiva perfilada pelo autor constitui vasto material para historiadores, antropólogos, folcloristas, arquitetos e curiosos sobre a vida social no Brasil no final da década de 1930 e início da de 1940.

    Zweig também se debruçou sobre a história, a economia e a civilização do País, dedicando longas seções para cada um desses itens, de maneira a compreendê-los com percuciência e, assim, ampliar seu raio de visão. O ensaio em questão contém as reflexões de Zweig acerca da Nação brasileira e suas imensas potencialidades.

    A obra, assim, não se resume a um diário de viagens, mas se delineia como um tratado sobre o Brasil e um manifesto de declamação da grandeza brasileira e de chamado à ação política dos brasileiros para que nosso País realize as promessas que lhe são intrínsecas.

    Desse modo, o deslumbramento do austríaco em relação ao Brasil não foi um mero impressionismo de um viajante forâneo quanto a uma realidade considerada exótica e pitoresca, mas, sim, o entendimento do Brasil como uma civilização alternativa e superior à ocidental, em particular a europeia, flagelada pelo nazifascismo, pelo racismo e pela guerra. Os países europeus pertenciam a um passado que se destruía sob o peso dos seus limites e contradições, enquanto o Brasil seria o País do futuro, destinado, pela sua gente, imensidão e riquezas, a irradiar o porvir da humanidade.

    Digno de nota que Zweig tenha utilizado o termo “civilização” em vez de “cultura”. Como ensina Luís da Câmara Cascudo em sua obra Civilização e Cultura, civilização seria totalidade e conjunto, enquanto a cultura seria elemento parcial e imediato da civilização. “O todo civilizador é maior que a soma das partes culturais”, resumiu Cascudo.

    O escritor austríaco Stefan Sweig viu no Brasil a civilização do futuro em contraponto a uma Europa dilacerada pelo sectarismo, pelo racismo e pelo ódio.

    O Brasil, de acordo com Zweig, seria justamente uma totalidade civilizatória, tanto quanto por não ser apenas um país, mas “um continente, um mundo, com espaço para trezentos, quatrocentos, quinhentos, milhões de habitantes e uma riqueza imensa sob este solo opulento e intacto, da qual apenas a milésima parte foi aproveitada”.

    Para ele, então, o Brasil não seria uma particularidade, um fragmento folclórico para o deleite do europeu civilizado, mas uma totalidade singular e vibrante que apontava para o futuro, em contraste com a Europa, que, em sua visão, encerrava melancolicamente seu potencial histórico, saturada de passado e vergada por rivalidades que denunciavam a falta de perspectiva para o Velho Continente. O Brasil, por outro lado, era um país jovem, de pouca história e muito futuro e, portanto, prenhe de possibilidades, amplificadas por seu imenso território e suas abundantes riquezas. Uma civilização original nos trópicos voltada ao futuro.

    Segundo Zweig, o Brasil possuía um universalismo próprio e modelar de formas mais generosas e inclusivas de convivência em todo o mundo. Mesmo tendo sido formado com elementos europeus, inexistindo um legado civilizatório pré-europeu, o Brasil não se confundiria com o Velho Continente, inclusive Portugal, país que, ao dar o idioma, a religião e os costumes, “deu as formas segundo as quais o novo País, a nova nação, pôde desenvolver-se” (p. 199).

    Os preconceitos e ódios ideológicos, religiosos, de raça e de nacionalidade, que acossavam a Europa, não existiriam aqui, havendo, ao contrário, ampla concórdia e união na diversidade de pigmentos fenotípicos e credos. Mais ainda, haveria uma grande mescla étnica e cultural, uma tendência à miscigenação e ao sincretismo, de modo a criar uma civilização nacional fundada na mistura.

    Quão grande não deve ter sido a beatitude do artista romântico austríaco, fugido do nazismo, ao se deparar com um país onde, segundo sua própria descrição, crianças de diferentes cores brincavam juntas, onde mulatos e negros se abraçavam em público, onde brancos e negros dividiam os mesmos espaços, onde grande parte das pessoas possuía a pele tingida das tantas tonalidades que são possíveis de frutificar do amor humano sem barreiras eugenistas, onde as origens nacionais de cada família nada importavam, sendo os filhos e netos dos estrangeiros perfeitamente assimilados, sem contestação, ao caldeamento da nacionalidade brasileira. Conclui o autor: “O ódio entre as classes e o ódio entre as raças, essas plantas venenosas da Europa, ainda não criaram raízes aqui” (p. 206).

    Zweig percebeu, ainda, que a miscigenação étnica e cultural acompanharia uma tendência à moderação dos posicionamentos políticos. A propensão à mistura abrandaria os contrastes e aproximaria as divergências, inexistindo, assim, os choques e conflitos que grassavam no Velho Mundo. A prática política brasileira, tanto no fronte interno quanto no externo, seria de “resolução pacífica de todos os conflitos, mediante conciliação recíproca” (p. 117).

    Sem veleidades imperialistas e ameaças de guerra civil, os brasileiros encontrariam a ordem pública na sua própria configuração existencial e de convívio, sendo, então, desnecessário um Leviatã onipotente. Mesmo o Estado Novo, classificado de ditadura pelas ciências sociais de matriz liberal, seria, para Zweig, mais suave que a maioria dos regimes europeus à época (p. 28).

    A dimensão continental do território e a exuberância da natureza do Brasil predestinavam o País para um futuro grandioso na opinião de Stefan Sweig.

    Nessas condições, as questões políticas, devidamente contidas, não se imiscuíam na vida privada nem perturbavam a maneira amistosa com que os brasileiros se relacionavam cotidianamente entre si. O princípio humanista da tolerância, embora formulado teoricamente na Europa, encontraria apenas no Brasil a sua realização prática e natural, anterior a qualquer elaboração racional, que não seria necessária dada a sua plena incorporação ao conjunto civilizacional brasileiro.

    Zweig entendeu, muito acuradamente, que a coesão política e a harmonia social ainda não acompanhavam o grau de desenvolvimento a que o Brasil estava destinado a alcançar, mas constituíam pré-condição para tanto.

    Em sua análise, o Brasil permanecia um país não-desenvolvido e desaproveitado, no qual grande parte da população estava longe de possuir o padrão material de vida prevalecente em países mais industrializados. A frugalidade era a principal característica do modo de vida das massas em nosso País. A precariedade das condições sanitárias, com forte incidência de doenças como tuberculose, malária e lepra, representava o principal adversário do homem brasileiro e relacionava-se à subalimentação, fenômeno contraditório com a vastidão e a fertilidade do solo.

    Mais ainda, não haveria um proletariado como nas metrópoles norte-atlânticas, em razão do estágio menos avançado de desenvolvimento econômico e da dispersão demográfica. Com apenas 50 milhões de habitantes, a população brasileira mostrava-se rarefeita para a devida ocupação e exploração do território. A infraestrutura, em particular a ferroviária e a hidroviária, era precária, ainda que abundassem ferro e rios navegáveis. Era, assim, difícil ampliar as oportunidades de investimento para empregar o contingente humano e, por conseguinte, ampliar o mercado interno e as oportunidades de bem estar e ascensão social da maioria.

    Entretanto, mais do que nenhum outro país, o Brasil possuía (e, felizmente, ainda possui) todos os recursos naturais para se desenvolver de forma soberana e proporcionar uma vida digna a uma população muito maior que a que tinha e ainda tem. Como o autor afirma: “É sempre o sol do Brasil e a fertilidade do seu solo que salvam este país” (p. 166).

    Ao longo da história do Brasil, a salvação a que Zweig se refere estava circunscrita a uma economia de tipo colonial, voltada ao atendimento da demanda dos mercados europeus pela exportação de artigos primários como pau-brasil, açúcar, ouro, café, algodão, látex e cacau.

    São Paulo impressionou Stefan Sweig: o local escolhido pelos visionários jesuítas para fundar uma escola para crianças indígenas teve como destino tornar-se uma das grandes metrópoles do planeta.

    Porém, como o autor muito bem coloca, era imprescindível – e continua sendo hoje, talvez mais do que nunca – reorganizar a economia em bases nacionais, utilizando a imensidão territorial e as riquezas oferecidas pela natureza para um processo autóctone de desenvolvimento e de integração pelas vias da industrialização e das infraestruturas, de modo a que o sol brasileiro e a fertilidade do nosso solo alimentem e movam a civilização brasileira.  

    Sendo um continente e um mundo em si mesmo, o Brasil poderia e deveria crescer para dentro a partir das suas próprias condições físicas e humanas, e não mais curvar-se aos imperativos do comércio exterior, pautados pelas nações desenvolvidas. Haveria espaço e riquezas, ainda não aproveitados, para sustentar quantas centenas de milhões de brasileiros pudessem nascer em um país que, pelas suas proporções, quando cresce, se multiplica exponencialmente. O Brasil seria o túmulo do malthusianismo, pois, aqui, tanto a produção quanto a população poderiam aumentar geometricamente em um círculo virtuoso.

    Era esse, efetivamente, o caminho no qual o governo de Getúlio Vargas conduzia o Brasil, como Zweig compreendeu. A liderança nacionalista imprimida por esse grande estadista juntava-se à coesão social e ao equilíbrio político próprios da civilização brasileira para promover o desenvolvimento econômico e a melhoria das condições sociais e sanitárias do nosso País. Nesse contexto, a autoestima patriótica florescente permitiu ao Brasil conhecer melhor a si próprio e tornar-se senhor do seu próprio destino.

    Como Zweig colocou, em um trecho longo e importante:

    “Um ano na era atual, de Getúlio Vargas, pode produzir mais do que pode fazê-lo um decênio no tempo de D. Pedro II, ou um século no tempo de D. João VI. […] A todas as energias do Brasil ainda não aproveitadas e desconhecidas juntou-se nos últimos anos uma nova: a consciência do seu próprio valor […] este país aprendeu a pensar de acordo com as dimensões de sua própria vastidão e a contar com suas possibilidades ilimitadas como se elas fossem uma realidade em breve atingível. O Brasil reconheceu que espaço é força e gera forças, que não são o ouro nem o capital poupado que constituem a riqueza dum país, mas sim o solo e o trabalho que neste é realizado. Mas que país possui mais solo não utilizado, inabitado e não aproveitado que este, cujo território é tão grande quanto o Velho Mundo?” (p. 190-192).

    Dessa maneira, o Brasil projetar-se-ia soberanamente ao futuro, e, além disso, estaria “destinado a ser um dos mais importantes fatores do desenvolvimento futuro do mundo” (p. 13). O Brasil, como Zweig corretamente o entendeu, era o país do futuro, pois era o único que detinha as condições civilizacionais, geográficas e econômicas para se tornar um luminar de prosperidade e harmonia para todo tipo de gente. A Europa e os EUA, consumidos pelas suas revoluções industriais, pelas segregações étnicas e pelas rivalidades políticas, pertenciam ao passado. Só o Brasil, Nação jovem e ainda por ser feita, teria capacidade de despontar no futuro, e encaminhava-se para tal feito pela condução política nacionalista de Getúlio Vargas.

    Lamentavelmente, o abandono da Questão Nacional, nas últimas décadas, carregou consigo o esquecimento das qualidades e possibilidades inerentes ao Brasil. Vários dos aspectos positivos da brasilidade, anotados por Zweig, foram, propositalmente ou não, distorcidos e vilipendiados por setores significativos das elites políticas, econômicas, midiáticas e acadêmicas brasileiras nos últimos 40 anos.

    O neoliberalismo e o “desenvolvimento associado e dependente”, ao defenderem a alienação do patrimônio nacional em troca da promessa de capitais estrangeiros, promoveram uma verdadeira recolonização do Brasil. A subordinação do território e do povo brasileiros a interesses alienígenas resultou na dilapidação da indústria brasileira e na degradação dos serviços públicos, condenando grande parte da população às agruras do trabalho informal e de uma vida abaixo do limiar de subsistência.  

    Além disso, a exaltação das lutas de classes, de etnias e de várias outras identidades como fins em si mesmos, bem como a busca pelo tensionamento político e pela mobilização militante permanentes, tanto à esquerda quanto à direita, contribuíram imensamente para fraturar a civilização que Zweig observou e impedir a autoestima que possuíamos no tempo em que ele aqui aportou.

    Dessa forma, estão sendo dificultados os esforços de construção de uma unidade em torno de um projeto nacional de desenvolvimento para sanar os problemas que afligem, direta ou indiretamente, todos os brasileiros. De tal forma isso ocorre que, hoje, a alcunha “país do futuro” caiu em desuso, sinalizando a perda da esperança e do horizonte de perspectivas sem as quais nenhuma Nação consegue afirmar-se como sujeito histórico autônomo.

    Em tempos nos quais a reconstrução nacional torna-se a cada dia mais imperiosa, exigindo do Estado e de todas as forças políticas uma posição ativa em prol da saúde pública, do desenvolvimento econômico e da recriação dos empregos formais, o livro Brasil: País do Futuro torna-se mais necessário do que nunca.

    Sua leitura pode ser a chave para redescobrirmos nossa brasilidade perdida, voltarmos a vislumbrar e aproveitar nosso imenso potencial e, assim, conseguirmos orientar as energias na defesa da Nação brasileira, que nos é comum e inescapável.

    [1] A edição utilizada para essa resenha encontra-se disponível no endereço https://cepmgdjff.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Brasil-pa%C3%ADs-do-futuro-Stefan-Zweig.pdf


    3 COMENTÁRIOS

    1. Com exceção das potencialidades físicas as demais características brasileiras notadamente de natureza humana apontadas por Stefan Zweig tais como tolerância, harmonia e ausência de conflitos religiosos e ideológicos a luz dos tempos atuais parecem ter ficado num passado distante…Será que a obra de Zweig se escrita por ele em tempos atuais traria a mesma mensagem de otimismo ??

    2. O cientista político Felipe Quintas, aborda a relevância do livro de Zweig para as reflexões sobre o Brasil atual, tão infestado de vira-latismo. Um Vira-latismo que eu poderia chamar de uma dentre as “doença das crenças” — enfermidade que pode ser fatal para um projeto de nação.
      Quintas aborda-o de maneira precisa e original, contextualizando-o no período Vargas; esta resenha-reflexão merece constar como um dos textos indispensáveis para a compreensão da vida e obra do grande escritor Austríaco, mas também da Era e do legado Vargas, assim como nos debates profundos sobre o Brasil atual e suas vias futuras.
      Sou antropólogo, e gostaria de contribuir com a reflexão de Quintas trazendo elementos e sublinhando o seguinte aspecto:

      Algumas pessoas, desejo crer que por desconhecerem o contexto histórico no qual Zweig descreve o Brasil em comparação com a Europa e os EUA, criticam o escritor Austríaco por dar vazão ao que seriam, por assim dizer, “fantasias e ilusões de um simples gringo deslumbrado”.
      Para mostrar que Zweig, que fugia de uma Europa hiper-racializada, carcomida pela intolerância e encharcada de melancolia e de tristeza mórbida, tendo passado pelos EUA de leis e hábitos de Apartheid, sabia muito bem do que estava falando quando fez o elogio do que de bom e exemplar havia (e há) no Brasil, selecionei este trecho de Brasil, País do Futuro (P. 25):

      “Longe de mim querer dar a ilusão de que no Brasil já tudo se acha no estado ideal. Muita coisa se acha em início e em transição. A maneira de vida de uma grande parte da população ainda está muito abaixo da maneira de viver de grande parte da nossa. As atividades técnicas industriais desta nação de 50 milhões de habitantes só são comparáveis as de pequenos países europeus. O mecanismo da administração ainda não está bem regulado…”.

      Lembremos que a racialização dos anos 30-40 na Europa se expressava notadamente na manipulação da designação e hierarquização de atributos físicos e morais — sendo estes intrínsecos e imutáveis — a um individuo por sua origem, seja esta judaica, eslava, grega, cigana, etc.
      A miscigenação (casamento, união e/ou procriação entre indivíduos de supostos grupos étnicos ou raciais diferentes) é o pavor dos sistemas jurídicos ou morais do gênero Apartheid (nazismo, colonialismo, norte-americanismo, culturalismo de extremos, etc), visto que estes muitas vezes (ou em certas fases) incluem, admitem ou toleram a existência de certos grupos, contanto que “cada grupo se restrinja a seu círculo”, praticando a endogamia (união/formação de família dentro de seu próprio grupo). A miscigenação, vista como fonte de decadência e desestruturação do sistema de crenças étnico-raciais é, assim, a maior ameaça a médio prazo para os esteios do racialismo de intolerância, e segundo este tipo de (i)lógica, deve ser combatida.

      Assim, Stefan Zweig vê com olhos de clareza — e sem ilusão — a prática da miscigenação quotidiana brasileira e do fértil caldo cultural que emana do povo brasileiro, o que é sim exemplo para muitos países (mesmo para os países africanos que conheci pessoalmente) o que não o impede, como no trecho acima citado, de ver que nosso país-continente tem problemas sociais, econômicos e administrativos a serem abordados.
      Naquele momento, a Europa se dilacerava em guerras, imposição de ideias, colaboracionismos e campos de concentração, e Zweig quis transmitir a seus numerosos leitores — então quase todos no hemisfério Norte — sua “visão vivida” de que outro sistema de relações sociais de base era possível, dando ênfase neste aspecto tão precioso naquele momento, mas também, em nossos dias.

    3. Zweig é uma referência que cabe como uma luva nesta dura realidade política que atravessamos no Brasil e especialmente em Petrópolis , Cidade de colonização Alemã que ja em sua epoca teve uma forte falange do integralismo nazista que gerou no mundo um conflito mundial mas que no Brasil foi abafado. . Que os mesmos valores humanistas apregoados por Zweig desta vez se mantenham firmes para combater este transtorno que ciclicamente tenta retornar ao Brasil mas que estava ainda adormecido quando o pensavamos extinto.

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