O lítio e o golpe na Bolívia

    A cobiça internacional pelo lítio boliviano pode explicar a desestabilização do país?

    Golpe na Bolívia acontece menos de uma semana depois de Morales interromper o contrato de uma multinacional sobre as reservas de lítio do país.

    “O lítio da Bolívia pertence ao povo boliviano. Não a esquemas de corporações multinacionais. “

    O Salar Uyuni da Bolívia possui as maiores reservas de lítio do mundo.

    O golpe militar de domingo na Bolívia estabeleceu um governo que parece propenso a reverter uma decisão do recém-renunciado Presidente Evo Morales de cancelar um acordo com uma empresa alemã para a exploração de depósitos de lítio no país Latino Americano para baterias como as de carros elétricos .

    “O lítio da Bolívia pertence ao povo boliviano”, twittou o colaborador do Washington Monthly David Atkins. “Não a cabalas corporativas multinacionais.”

    O golpe, que no domingo se concluiu com a renúncia e exílio do presidente Evo Morales, foi o resultado de dias de protestos de elementos de direita enfurecidos com o governo de esquerda de Morales. A senadora Jeanine Añez, da Unidade Democrática de centro-direita, é atualmente a presidente interina no instável governo pós-golpe antes das eleições.

    O clima de quase guerra civil abala a Bolívia depois de alguns anos de crescimento e estabilidade.

    A editora Argus de análises de investimentos pediu aos investidores que fiquem de olho na situação em desenvolvimento e observou que a produção de gás e petróleo de empresas estrangeiras na Bolívia permaneceu estável.

    Os movimento de Morales em 4 de novembro para cancelar o acordo de dezembro de 2018 com a ACI Systems Germany (ACISA) da Alemanha veio após semanas de protestos de moradores da área de Potosí. A região possui 50% a 70% das reservas mundiais de lítio nos sus salares.

    Entre outros clientes, a ACISA fornece baterias para a Tesla. As ações da companhia subiram na segunda-feira após o fim de semana.

    Como observou a Bloomberg News em 2018, tais reservas alavancam o país para um nível de grande importância para a próxima década:

    A demanda por lítio deve mais que dobrar até 2025. O mineral macio e leve é ​​ extraído principalmente na Austrália, Chile e Argentina. A Bolívia possui bastante – 9 milhões de toneladas – que nunca foram extraídas comercialmente, a segunda maior reserva do mundo, mas até agora não havia uma maneira prática de extração e comercialização .

    O cancelamento do acordo da ACISA por Morales abriu margem para a renegociação do contrato, com termos que gerem mais lucros para a população da região ou a definitiva nacionalização da indústria boliviana de extração de lítio.

    Como a Telesur informou em junho, o governo de Morales anunciou na época que estava “determinado a industrializar a Bolívia e investiu grandes quantias para garantir que o lítio seja processado no país, para exportá-lo apenas em formas com valor agregado, como em baterias”.

    Não está claro quais são os próximos passos para o setor na Bolívia pós-golpe, de acordo com a empresa de análise de inteligência global Stratfor:

    A longo prazo, a contínua incerteza política tornará mais difícil para a Bolívia aumentar sua produção de metais estratégicos como o lítio ou desenvolver um setor de valor agregado no mercado de baterias. O fraco clima de investimento chega em um momento de expansão das oportunidades globais na produção de baterias de íon-lítio para atender à crescente demanda da fabricação de veículos elétricos.

    A ACISA disse à emissora alemã DW na semana passada que a empresa estava “confiante de que nosso projeto de lítio será retomado após uma fase de calma e esclarecimento político”.

    No domingo, Morales renunciou.

    (Tradução Pedro Rebelo)

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