A boa política se faz com boas ideias e com boas pessoas. Não com uma coisa ou outra. Mas com ambas.
Quem tem uma boa ideia, mas não tem a pessoa certa para colocá-la em prática, não faz política. Faz teoria, debate, estudo, reflexão.
Da mesma forma, quando existem pessoas capazes, mas não há princípios nem valores em jogo, não se faz política de verdade; resta apenas a disputa por poder.
É preciso unir a teoria e a prática, a ideia e o homem, a doutrina e o líder, o projeto e a realização. Tudo isso, justamente, é o que acontece hoje no Brasil, com a filiação de Aldo Rebelo à Democracia Cristã e a sua pré-candidatura à presidência da República.
Aldo Rebelo dispensa apresentações. Presidente da UNE, vereador, deputado federal por vários mandatos, presidente da Câmara dos Deputados, ministro de Estado em pastas diversas (Defesa; Esporte; Coordenação Política; Ciência, Tecnologia e Inovação), o alagoano radicado em São Paulo é figura bastante conhecida da política nacional. Mas que doutrina é esta – a Democracia Cristã – que ele agora defende e representa?
Fundada por Antônio Frederico Ozanam (1813 – 1853), em meados do século XIX, a Democracia Cristã é uma corrente política de ampla tradição. Já governou países muito diferentes, como Itália, Alemanha, Chile, Venezuela e França. Seu pensamento se organiza em torno de duas ideias fundamentais.
Por um lado, a firme defesa da democracia. Para os democratas-cristãos, essa forma de governo é a única capaz de responder aos desafios do mundo contemporâneo, pois garante ampla participação popular e combate a concentração de poder.
Por outro lado, a convicção profunda de que a democracia só pode dar certo caso seja preenchida pelos valores do Evangelho. Não se trata de impor religião. De modo algum. Os democratas-cristãos são, desde sempre, grandes defensores da liberdade religiosa. Trata-se apenas de reconhecer o óbvio: não existe neutralidade moral. Toda pessoa é, de uma forma ou de outra, orientada por uma visão de mundo: por crenças, valores e princípios em que ela acredita – inclusive quando age na política. Assim, a verdadeira questão não é se o Estado será guiado por um conjunto de valores, mas sim qual é o conjunto concreto de valores que irá guiar o Estado.
Para os democratas-cristãos, obviamente, o cristianismo é a concepção de vida mais adequada para orientar a nossa democracia. E isso sobretudo num país como o Brasil, fundado como Terra de Santa Cruz, no qual a fé em Cristo está intimamente ligada à história e à identidade nacional.
Uma pessoa pode, inclusive, nem ter fé cristã e ainda assim ser democrata-cristã. Basta que reconheça aqueles princípios éticos essenciais que o Evangelho introduziu na história: a dignidade da pessoa humana, que é sempre sagrada, desde a concepção até a morte natural, pois foi criada à imagem e semelhança de Deus; a prevalência do bem comum, pois devemos amar o próximo como a nós mesmos e a autoridade só é legítima quando o poder se torna serviço; a função social da propriedade privada, pois temos a obrigação de compartilhar nossos bens com os necessitados; a centralidade da família, na qual os filhos honram seus pais e marido e mulher se tornam uma só carne; a obediência à lei e às autoridades, pois é preciso dar a César o que é de César; a disposição permanente para a unidade e a reconciliação, já que pedimos ao Pai para nos perdoar na mesma medida em que nós mesmos perdoamos os outros; o cuidado do meio ambiente, nossa casa comum, feita pelo Senhor; a opção preferencial pelos pobres, prediletos de Deus e primeiros destinatários do Evangelho; a fraternidade universal, já que somos todos irmãos, filhos de um mesmo Pai no Céu.
Nos temas de costumes, a Democracia Cristã é conservadora.
Democratas-cristãos acreditam na existência da lei natural, um senso moral universal, que todo adulto saudável é capaz de perceber e que serve de base para as leis civis. Também acreditam na importância da tradição, pois é através dos hábitos enraizados socialmente que os países criam sua identidade, sua história.
Nos temas econômicos, a Democracia Cristã é trabalhista.
Democratas-cristãos acreditam na prioridade do trabalho sobre o capital e na luta pela conciliação de classes. Não são nem liberais nem socialistas. Para eles, a economia deve servir às necessidades das pessoas, não o contrário. Por isso, nem o Estado nem o mercado devem ter o controle total da produção. Iniciativa privada e iniciativa pública precisam atuar juntas, de forma estratégica, inteligente, e as desigualdades sociais devem ser continuamente reduzidas, com o protagonismo cada vez maior dos trabalhadores.
Por fim, nas relações internacionais, há uma característica da Democracia Cristã que se destaca especialmente quando ela atua nos países periféricos, subdesenvolvidos. E é aí, sobretudo, que a Democracia Cristã brasileira tem muito a ganhar com a candidatura de Aldo Rebelo. Essa característica especial é o Nacionalismo.
Os países centrais, desenvolvidos, não precisam ser nacionalistas. Eles já ocupam o eixo de todo o sistema econômico internacional. São privilegiados. Quando se tornam nacionalistas, é para dominar, oprimir: criam um nacionalismo ofensivo.
Em países periféricos, como o Brasil, é o oposto. Aqui, o nacionalismo é uma questão de sobrevivência. É uma atitude de defesa. Contra a colonização ideológica das grandes potências, que pretendem nos impor novos valores, estranhos à índole do nosso povo e contrários à lei moral natural. Contra o imperialismo econômico, também das grandes potências, que deseja nos manter no atraso produtivo, na desindustrialização, na injustiça social, na exploração dos trabalhadores, na fome dos pobres.
É urgente uma grande cruzada em defesa da soberania nacional. Não como um fim em si mesma, mas com um meio necessário para construirmos um Brasil mais justo, digno da majestade de Deus e da honra do povo brasileiro.
