Coronavírus: falsas afirmativas

    Não há qualquer prova de que o Coronavírus tenha sido criado em algum laboratório de guerra biológica.

     

    Alerta Científico e Ambiental 10 de março de 2020

    Vol. 27  |  nº 10 | 19 de março de 2020

    O blog Moon of Alabama (19/03/2020) reuniu algumas afirmativas falsas que têm circulado sobre a pandemia do coronavírus Sars-CoV-2, que reproduzimos para os nossos leitores.

    O editor do blog é um ex-oficial de inteligência alemão residente nos EUA, que tem se destacado como um dos mais argutos comentaristas sobre assuntos estratégicos e econômicos internacionais.

    1) O novo coronavírus Sars-Cov-2 é um vírus chinês que veio de morcegos e infesta os seres humanos, porque os chineses comem morcegos:

    Em realidade, a fonte do vírus ainda não é conhecida. O paciente número um, o primeiro portador do vírus, não foi encontrado. O mercado de Wuhan onde animais exóticos são vendidos não foi a fonte da epidemia. Um artigo escrito por um grande grupo de pesquisadores chineses de várias instituições oferece detalhes sobre os primeiros 41 pacientes hospitalizados com infecções confirmadas. No caso mais antigo, dizem os autores, o paciente ficou doente em 1º de dezembro de 2019 e não tinha qualquer ligação com o mercado de frutos do mar. Os seus dados mostram que, no total, 13 dos 41 casos não tinham qualquer relação com o mercado.

    Enquanto o novo coronavírus pode ter se originado em morcegos, é improvável que tenha saltado de um morcego para um humano. O vírus Sars mais antigo, que é algo similar ao novo coronavírus, originou-se em morcegos, mas saltou primeiro para outros animais antes de sofrer mutações a partir deles e infectar humanos.

    O único lugar onde morcegos são parte da dieta regular é a ilha de Palau, no Pacífico, que é mais ou menos uma colônia dos EUA. Vídeos que mostram cidadãos chineses comendo sopa de morcego das frutas foram, de fato, filmados nessa ilha.

    2) O vírus está relacionado ao HIV, o vírus causador da AIDS:

    Alguns pesquisadores indianos encontraram quatro sequências genômicas no novo coronavírus, que também podem ser encontradas no vírus HIV. Eles publicaram a sua descoberta em um artigo que não foi revisado por pares. Alguns dias depois, o artigo foi retirado por seus autores, depois que outros cientistas apontaram que os comprimentos de cada uma das quatro sequências genéticas que eles compararam eram muito pequenos para ter significado estatístico.

    3) Os asiáticos são geneticamente mais receptivos ao novo coronavírus:

    O vírus entra nas células humanas através da ligação ao receptor ACE-2 na parede celular. Houve afirmativas de que os asiáticos têm mais receptores ACE-2 do que as pessoas de outras regiões. Mas estudos detalhados de vários bancos de dados de sequência do genoma não encontraram qualquer base estatística para tais alegações. Pessoas de origem asiática, caucasiana ou africana têm o mesmo número de elementos e receptores de construção do ACE-2. O vírus irá afetá-las da mesma maneira.

    4) O vírus se originou de um laboratório de guerra biológica:

    Não há qualquer evidência de que o vírus seja proveniente de um laboratório de guerra biológica chinês, estadunidense ou de outro país. O genoma do vírus consiste em mais de 23.000 “letras” e é significativamente diferente do genoma de outros vírus conhecidos. Criar artificialmente uma entidade tão complexa e testar todas as suas variantes teria sido um programa com as dimensões do Projeto Manhattan e custaria bilhões de dólares. Pesquisadores de armas são pessoas sãs com orçamentos limitados. Elas procuram métodos para derrotar um inimigo. Um vírus que afeta todos os seres humanos indiscriminadamente, mas mata principalmente os mais velhos, não teria qualquer valor militar.

    5 COMENTÁRIOS

      • O problema existe e está matando muita gente, mas existe uma caixa de ressonância criada pela imprensa com tendência a criar pânico na população.
        Quanto mais mais desmistificado e racionalizado o problema, melhor para todos nós.

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