Secretário dos EUA faz intriga e diz que o acordo Mercosul-UE embute “armadilhas”

Wilbur Ross: "Não caiam em armadilhas com algo que seja inconsistente com o acordo conosco" Foto: Reprodução

Bárbara Nascimento e Monique Heemann / AE

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, afirmou, durante evento da Amcham (Câmara Americana de Comércio) que há diferenças entre as exigências para comércio com a União Europeia com quem o Mercosul fechou acordo recentemente e com os Estados Unidos. Ele deixou claro que há interesse dos EUA em estabelecer livre comércio com o Brasil, mas pediu cuidado para que o país “não caia em armadilhas” que dificultem um acordo futuro com os americanos.

“Nós temos diferenças com a comissão da União Europeia em automóveis, alimentos, farmacêuticos, químicos, em todo tipo de setor”, disse, completando que há diferenças também em relação a indicadores geográficos e regulação sanitária e fitossanitária. “Por favor, tenham cuidado e não caiam em armadilhas com algo que seja inconsistente com o acordo de livre comércio conosco”, disse.

Corrupção

Ross afirmou que houve, nos últimos anos, uma preocupação por parte das empresas americanas e do investidor estrangeiro em relação à corrupção no Brasil, sobretudo dentro dos conselhos das empresas. Ele afirmou, contudo, que entende que a gestão do presidente Jair Bolsonaro tem tentado conter o problema.

“Eu sei que o Brasil fez um esforço grande sob a administração do presidente Bolsonaro para conter a corrupção”, disse. Ele reafirmou que o país quer o livre comércio com o Brasil. “Nos movermos em direção a acordo seria forma de cooperarmos mais em agricultura”, afirmou Ross. Questionado sobre a dificuldade de recuperar o emprego no Brasil, o secretário disse que, para os Estados Unidos, uma “reforma regulatória”, com alterações na legislação e retirada de entraves para as empresas, teve efeito positivo.

Ross afirmou que acordos comerciais “têm muitas páginas e podem levar muito tempo”. quando perguntado se há um cronograma para o anúncio de um pacto de livre-comércio entre o país e o Brasil. Ele afirmou que os dois países têm trabalhado no assunto desde março, após o encontro dos presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro, que desenvolveram uma relação pessoal “muito boa”.

China

Em relação às negociações entre Washington e Pequim, que foram retomadas nesta terça-feira em Xangai, Ross afirmou que há diversos aspectos para os quais os dois países ainda precisam encontrar soluções. “Há diferenças entre nós”, disse, usando como exemplo as compras de soja da China, que os EUA exigem que aumentem.

Para Ross, é necessário que sejam feitas reformas estruturais na economia chinesa e mais “respeito à propriedade intelectual”, assim como maior acesso ao mercado da China e transferência de tecnologia. Ele também reforçou a importância de um mecanismo contemplado no acordo que garanta o cumprimento do estipulado.

Mercosul

Ross disse ainda que “será difícil” pensar em um acordo de livre comércio com o Mercosul, ao ser questionado sobre a possibilidade. Ele afirmou que o bloco está “muito ocupado neste momento” finalizando os detalhes do pacto firmado com a União Europeia (UE).

Ross também destacou que os Estados Unidos desejam a cooperação de todas as nações na busca por uma solução para a Venezuela e não querem impor uma alternativa. “O que esperamos é falar (na convenção de Lima) sobre cooperação de todas as nações que querem ajudar a Venezuela. Isso é uma crise humanitária global”, afirmou.

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