Gosto de dizer, entre o sério e o gracejo, que escrevo em jornal desde os 11 anos…Meu pai dirigiu por curto período o Jornal de Capanema, órgão do Partido Social Democrático (PSD), de que era cabo eleitoral nesta cidade do Pará onde me criei. Redação e oficina funcionavam num galpão da Praça da Prefeitura. Devia ter 4 páginas, em formato de tabloide, e era composto e impresso à mão. Anália, se não me escapa o nome, era exímia manulinotipista: botava o texto à altura dos olhos, blocava uma peça de metal e ia juntando letra por letra de chumbo, manualmente, ressalto, para compor a chapa para impressão. Catava 1 a, 1 m, 1 o, 1 r – e compunha a palavra amor…Lembrei dela quando li num romance de Garcia Márquez a citação de um sujeito “mais rápido que as asas do pardal…”

O impressor chamava-se Peroba. Lembro dele colocando o enorme rolo de papel, ajustando a máquina, verificando a intensidade da tinta, rodando a prensa com a mão e me dando pra ler um exemplar quente, de páginas ainda borradas. Nos anos 90, certo sábado, quando era editor-executivo do Estadão, editei a 1.ª página e, dando um tempo, desci à gráfica para pegar um dos primeiros exemplares impressos. Diante da rotativa mastodôntica, imprimindo um exemplar volumoso como um livro, em cores e 400 mil cópias, lembrei emocionado do Peroba quando o gráfico me entregou o jornal que eu acabara de editar como redator-chefe do dia.

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